Crescimento do mercado mundial abriu horizontes para as florestas de Minas.

por CIFlorestas

A retomada dos mercados mundiais de produtos siderúrgicos, celulose e papel abriu o horizonte do fomento florestal no Brasil, instrumento de novas oportunidades para o produtor se dedicar às florestas plantadas de eucalipto. A ArcelorMittal Bioenergia  – empresa de base florestal do maior grupo produtor de aço do planeta  – e a Cenibra anunciam planos para ampliar áreas de plantio e a manutenção do cultivo próprio e de terceiros. Além dos contratos firmados com esses grandes clientes, as perspectivas de comercialização direta na indústria da madeira e serraria também são animadoras no ano que vem, a partir do chamado sistema integrado lavoura/pecuária/floresta, conduzido em Minas Gerais pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EmaterMG).

“A agricultura da madeira veio para ficar e mostra sua nova cara”, resume o presidente da Associação Mineira de Silvicultura (AMS), Bruno Melo Lima. Se no início da década as plantações de eucalipto estavam restritas aos programas de investimentos de grandes  empresas, os chamados fazendeiros florestais incrementaram a sua participação no negócio da madeira, respondendo por 150 mil hectares plantados em Minas Gerais. Dessa área total, um terço é de terras mantidas pelos produtores que atendem grandes empresas com parceiras contratuais de entrega da matéria-prima e os outros 100 mil se dividem em partes iguais entre associações florestais e áreas integradas a programas de incentivo do governo estadual.

Ao todo, as florestas plantadas de Minas se estendem por 1,5 milhão de hectares, ativo ainda abaixo da estimativa de 2 milhões de hectares, de acordo com a AMS, para atender com folga à demanda, incluindo as necessidades das usinas siderúrgicas integradas – que atuam desde o primeiro elo da cadeia aos produtos siderúrgicos –, os produtores independentes de ferro-gusa (matéria-prima da fabricação de aço), as indústrias de ferroligas, celulose, chapas e aglomerados de madeira, os setores moveleiro e de energia. Outro motivo de estímulo aos fazendeiros florestais está na própria legislação ambiental, que determina um índice de 95% de madeira plantada no consumo da indústria até 2017. “A expectativa é de crescimento das necessidades das empresas nos próximos anos. Não nos resta alternativa que não seja a floresta plantada”, diz o presidente da AMS.

Em expansão

A Cenibra, uma das maiores fabricantes de celulose branqueada de eucalipto de fibra curta no mundo, trabalha num plano de expansão do plantio próprio e de terceiros para cumprir a meta de dobrar a produção da fábrica de Belo Oriente, no Vale do Rio Doce. O projeto consiste na implantação de uma terceira linha de produção, orçada em pelo menos US$ 2 billhões, dos quais pelo menos meio bilhão em florestas, estima o presidente da empresa comandada pelo grupo JBP (Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development), Paulo Eduardo Rocha Brant.

O Conselho de Administração recebe o projeto pronto no início do ano e, se aprová-lo, para aumentar a produção em 1 milhão de toneladas anuais, serão necessários mais 100 mil hectares de florestas, mantida a atual produtividade. A Cenibra detém 250 mil hectares, dos quais 140 mil ha de plantações de eucalipto. O programa Fazendeiro florestal representa cerca de 10% da área e deve crescer. “A participação dos fazendeiros florestais deverá dobrar (de 10% para 20% da área plantada). É altíssima a probabilidade de os acionistas aprovarem o projeto de expansão”, afirma Paulo Brant.

A ArcelorMittal Bioenergia anunciou investimentos de US$ 390 milhões do ano que vem até 2016 para acompanhar o crescimento do consumo de aço. As cifras contemplam plantio e manutenção de florestas de eucalipto, cerca de 90% delas localizadas em Minas, e o aumento da produção de carvão vegetal. Segundo o presidente da empresa, Elesier Lima Gonçalves, os recursos destinados à área florestal serão aplicados em novas florestas nas mesmas regiões em que a ArcelorMittal Bioenergia atua, em melhoramento genético e aquisição de equipamentos. “Não vamos comprar um único hectare de terra. Teremos ganhos com a produtividade”, afirma. A madeira é usada como redutor em dois fornos da usina de Timóteo, no Vale do Aço, dois fornos na unidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, e na planta industrial de Cariacica (ES).

Posts relacionados

Deixe um Comentário

Posts mais recentes:

multicloud
GoogleCloud
DataFlow
Google Maps
Google Cloud
Google Maps
Google Maps
Google Cloud
Google Maps
Google Maps
Google Cloud
Google Cloud
Google Cloud
Armazenamento