Fundação desenvolve carvão ''limpo''

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Tecnologia possibilita redução das emissões de gases-estufa e aproveitamento de resíduos

fonte: O Estado de São Paulo

Rudimentar. Forno tipo 'rabo quente' em Minas Gerais (Jose Patricio/AE)

A Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FTDE), instituto de pesquisa aplicada fundado por professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), desenvolveu um sistema de produção de carvão vegetal mais limpo, em circuito fechado.

Além de reduzir em mais de 60% as emissões de gases de efeito estufa em relação às técnicas hoje empregadas, o novo sistema permite o reaproveitamento dos resíduos do processo, que podem ser refinados e dar origem a produtos químicos com amplo uso na indústria, como alcatrão, ácido acético e metanol.

Boa parte da produção de carvão vegetal ainda é bastante rudimentar e cercada de problemas socioambientais, como o corte ilegal de floresta nativa e o trabalho infantil nas carvoarias. No interior do País, o processo mais comum de produção de carvão é por meio dos fornos conhecidos como “rabo quente” – bastante poluentes, que liberam na atmosfera todos os gases da queima do carvão.

No sistema desenvolvido pela FTDE, a transformação da lenha em carvão é feita na unidade de carvoejamento, que consiste em fornos onde a queima da lenha é feita sem a presença de oxigênio, com captação dos gases oriundos da queima.

Depois, parte desses gases é utilizada para alimentar geradores na própria fábrica e outra parte alimenta uma unidade química, responsável pela transformação dos resíduos em produtos químicos.

Outro benefício do sistema é que ele pode produzir carvão de outros tipos de matéria-prima, além da lenha. “O processo é versátil. É possível utilizar resíduos como casca de arroz, pó de serraria, capim, biomassa de cana-de-açúcar”, diz Nilton Nunes Toledo, diretor da FTDE.

Toledo explica que a tecnologia pode ser grande aliada das indústrias siderúrgicas, que utilizam o carvão vegetal como insumo básico da produção de aço e hoje precisam reduzir suas emissões de gases-estufa.

A unidade-piloto que testará o sistema em escala comercial está prevista para ser construída na região do Vale do Ribeira, sul do Estado. Mas faltam recursos para colocá-la em operação, pois o projeto está desde o ano passado em análise pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Novos padrões. Os problemas na cadeia de produção do carvão vegetal no Brasil levaram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) a solicitar a criação de uma norma de boas práticas para a produção de carvão vegetal. De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), encarregada da formulação dos padrões, o objetivo é oferecer parâmetros mais sustentáveis para a matéria-prima, o processo de carbonização e para a qualidade do carvão. O texto da nova norma deve ser submetido a consulta pública até o final de março.


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