Horizonte renovado

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A moda agora é o retrofit verde, prática que potencializa o reúso de construções antigas ao focar em itens extras de sustentabilidade

Fonte: Planeta Sustentável

Só a iniciativa de reutilizar um prédio existente, e assim evitar uma construção desnecessária, já denota uma iniciativa sustentável. Somem-se a isso outras demandas com apelo ecoeficiente e está caracterizado o retrofit verde, a nova onda entre os arranha-céus das grandes capitais mundiais. Um deles é o Empire State Building, disposto a se tornar modelo de eficiência energética de Nova York. Outro, o Taipei 101, em Taiwan, que perdeu no início de 2010 o posto de edifício mais alto do mundo para o Burj Khalifa, em Dubai, e agora busca ao menos a posição de melhor amigo do planeta entre os grandalhões. Além de promover a atualização de construções antigas, com instalação de equipamentos modernos e preenchimento de normas contemporâneas de segurança, essas reabilitações têm como objetivo principal minimizar danos ao meio ambiente. No caso do Empire State, por exemplo, a ideia é a cada ano economizar US$ 4,4 milhões em eletricidade e reduzir o rastro de carbono em 7 mil toneladas. Já no Taipei 101, espera-se baratear a conta de luz em cerca de US$ 660 mil.

Ao mesmo tempo, a extensão da renovação e até mesmo sua viabilidade necessitam de análise. “Todo quebra-quebra deve ser pensado. Não há nada mais insustentável do que desmanchar algo existente e jogar fora”, afirma Nelson Kawakami, diretor-executivo do Green Building Council Brasil, responsável pela concessão dos certificados LEED no país. O investimento financeiro não é necessariamente maior que o de uma construção erguida do zero, mas há o risco de superar ligeiramente o valor de uma reforma comum. O retorno varia: pode vir em quatro meses ou 30 anos, dependendo das soluções adotadas e do nível de desempenho ambiental. “Se houver de 1 a 2% de crescimento na produtividade, já paga o investimento”, diz Nelson. Isso sem contar a valorização do imóvel, principalmente quando ele conquista certificação.
Além de esbarrar no custo, há outras dificuldades. Uma delas, convencer os proprietários de um edifício comercial ou residencial a encarar a empreitada, o que implica, em algum momento, desalojar total ou parcialmente funcionários e moradores. Entretanto, dá para superar os entraves tirando proveito da legislação.

Na Europa, por exemplo, estabeleceram-se objetivos de redução da emissão de carbono, e, como a maioria dos imóveis nasceu com o Velho Mundo, percebeu-se a urgência de apostar no retrofit – inclusive com injeção de dinheiro. O Japão também investe nisso: o governo ambiciona que 40% das moradias sejam energeticamente eficientes dentro de cinco anos. Linhas de crédito especialmente destinadas a reformas verdes já são uma realidade nos Estados Unidos. E, aqui no Brasil, onde residências e escritórios respondem por 8% das emissões de carbono, esse tipo de intervenção começa a ganhar força. Por enquanto, o único retrofit com LEED no país coube à Torre Vargas 914 (veja boxe na pág. 57), no Rio de Janeiro, mas outros 15 se candidataram ao selo. Estima-se que 47% dos prédios comerciais em São Paulo tenham mais de 25 anos e nenhuma eficiência energética. Ou seja, não faltam locais por aí à procura de uma recauchutagem ecológica.

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