Mão de obra especializada vai ficar mais cara, diz Ipea

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fonte: O Globo

 

Mão de obra especializada vai ficar mais cara

Faltarão profissionais capacitados ao Brasil para atender o mercado se a economia crescer na média anual prometida pelo governo de 5,9% ao ano. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que não há como abastecer de forma sustentável o mercado de engenheiros se o país crescer a 6% ao ano de 2011 a 2020 e que o custo desta mão de obra especializada vai ficar mais caro daqui para frente. As maiores carências devem ser identificadas nas áreas de petróleo e gás, construção civil, mineração biotecnologia e metrologia. Embora a quantidade de engenheiros formados até 2020 seja suficiente para suprir a demanda por estes profissionais no futuro, várias obstáculos limitam a oferta de mão de obra especializada no país e devem ser um dos principais gargalos para o crescimento sustentável da economia brasileira.

No cenário de crescimento mais otimista do Ipea, 68% dos profissionais com diploma em 2020 teriam que trabalhar na sua área específica. Atualmente, segundo dados do instituto, apenas 38% dos engenheiros exercem a ocupação. A maior parte deles segue em busca de oportunidades mais vantajosas em outras áreas. Este não é o único problema identificado pelos especialistas. Dos engenheiros formados pelas universidades brasileiras, apenas 28,1% têm notas consideradas de alta desempenho. Mais de 42% tiveram baixo desempenho e quase 30%, resultados medianos. Além disso, a maior parte dos profissionais da área exerce outras profissões, o que esvazia a oferta de engenheiros ao mercado.

Ainda que se concretize um cenário menos otimista de crescimento médio de 4%, próximo dos 3,5% registrados entre 2000 e 2010, não existe a garantia de que todos estes gargalos serão superados. Mas a demanda menor por engenheiros tenderia a equilibrar as falhas do mercado, embora não tenha como conter a alta dos salários dos profissionais mais experientes.

– Considero sustentável. Os novos profissionais tendem a se dirigir para suas ocupações mais típicas no início de carreira. Mesmo assim, o custo dos seus salários será mais elevado, assim como o de treinamento e capacitação – disse Aguinaldo Maciente, um dos autores do estudo do Ipea.

O país deve passar a formar entre 86 mil e 148 mil engenheiros por ano a partir de 2020. Até 2008, o Brasil formava 47 mil engenheiros em um ano.

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