Projeto refaz floresta no Vale do Paraíba.

por Folha.com

“Plantar floresta dá trabalho, principalmente se você quiser fazer a coisa do jeito certo”, brinca Paulo Valladares Soares, geólogo de formação e secretário-executivo da Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba.

Diante das encostas artificialmente nuas da serra da Mantiqueira em Guaratinguetá (SP), privadas da mata atlântica que as cobria por fazendas de café há muito falidas, fica claro o quanto vai dar trabalho replantar a floresta. E ainda mais na escala desejada pelo projeto do corredor ecológico: 150 mil hectares em dez anos, uns 10% da área do vale do Paraíba.

Há, no entanto, uma ou duas razões para ser cautelosamente otimista.

A primeira tem a ver com uma lei municipal que, se tudo caminhar como Soares e seus colegas esperam, deve ser aprovada ainda neste mês pelos vereadores de Guaratinguetá. O plano: pagar até R$ 5.000 anuais a pequenos proprietários que replantarem ou conservarem a mata nativa de suas terras.

VALE QUANTO PESA

O conceito, conhecido como pagamento por serviços ambientais, parte do princípio de que terras florestadas têm um valor econômico que vai além da madeira que se pode extrair delas. A mata é um purificador e produtor de água; funciona como fiel da balança da qualidade do solo -coisas que, cada vez mais, valem um bom dinheiro.

Outra razão para achar que o plano, afinal, pode funcionar: o mapa detalhado das futuras conexões entre pedaços hoje isolados de mata atlântica, que acaba de ser traçado por pesquisadores da Faculdade de Engenharia da Unesp de Guaratinguetá.

Passando rapidamente pelas páginas da apresentação de Powerpoint, Pedro Ivo Camarinha e Carolina Cassiano Ferreira, coautores do novo estudo, mostram como buscar um caminho de menor resistência entre a paisagem já muito ocupada pelo homem.

Variáveis como estradas, qualidade do solo, relevo e até nível educacional dos municípios do vale do Paraíba ajudam a traçar a estratégia. Áreas de mata nativa nas fazendas da empresa de produtos florestais Fibria, uma das parceiras particulares do projeto, devem servir como “âncoras” para vários dos pedaços do corredor, por serem relativamente grandes.

“Parando para pensar hoje, dá para ver que o café e outros ciclos de monocultura aqui no vale foram um erro, porque a vocação econômica aqui é a florestal”, explica Silvio Simões, professor da Unesp. “O solo é relativamente pobre, raso e ácido, mas as espécies florestais convivem bem com isso.”

A equipe do projeto diz temer que reconstituir a floresta, por si só, não seja suficiente para que ela continue ela “nos próximos 10, 50 ou 500 anos”, afirma Soares. Por isso, a ideia é combinar as reservas de mata nativa com eucalipto ou outras espécies que possam ser exploradas comercialmente.

“Temos de achar uma maneira de integrar a mata às propriedades. Se ela continuar sendo uma coisa estranha, um elemento deslocado, ela vai acabar não durando”, filosofa o geólogo.

 

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