Recuperação de áreas degradadas pela mineração

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fonte: TecHoje (Rosele do Nascimento)

A atividade mineral no Brasil é controlada de forma muito próxima pelos órgãos ambientais. Muitos ainda vêem a mineração como a vilã do meio ambiente. Mas quem vivencia o dia a dia dessa indústria e está envolvido com a legislação ambiental sabe que não é bem assim. O setor merece realmente maior controle sócio ambiental porque utiliza um bem natural, coletivo e gerenciado pela união. É uma atividade que, quando mal gerenciada, pode acarretar sérios danos.
Mesmo que o meio ambiente não faça parte das preocupações do empresário do setor de mineração, é um equívoco acreditar que a mineração ainda resista em investir em programas ambientais.

Na avaliação de Roberto Messias Franco, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a mineração tem dado passos expressivos na regularização de seus passivos ambientais. “Os novos empreendimentos estão hoje muito melhores que há 20 anos”, declara. Entretanto, ressalta o presidente do Ibama, “faltam planos de recuperação bem feitos e estratégias regionais de minimização dos impactos”.

A recuperação de áreas degradadas pela mineração já responde por uma boa parte do dinheiro que o setor gasta em programas de defesa do meio ambiente. Embora seja uma tecnologia ainda muito cara, as mineradoras “destinam parcela importante dos seus orçamentos a programas de recuperação e preservação dessas áreas”, reforça Rinaldo César Mancin, diretor de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a entidade que representa os interesses das companhias legalmente constituídas no Brasil.

Hoje em dia, estima-se em mais de 200 milhões de hectares a área degradada no Brasil pelas ações da mineração, construção de estradas, represas e áreas industriais.

Cada vez mais as empresas do setor mineral têm que apresentar padrões ambientais mais elevados, e cada vez mais a sociedade exige isso delas. Assim, as empresas mineradoras vem adotando uma postura próativa, utilizando técnicas modernas de controle ambiental e provando que os impacto causados pela atividade são pontuais e limitados.

A constituição de 1998 vincula a aprovação de qualquer projeto de mineração à apresentação do respectivo programa de recuperação de áreas degradadas. possuem metas de redução dessas emissões.

Na Vale, por exemplo, os projetos de controle e recuperação de áreas degradadas consumiram cerca de 70% da verba destinada ao programa ambiental da companhia, em 2007, um fundo foi criado para garantir que, ao ser fechada uma mina, hoje em operação, tenha os recursos necessários à sua recuperação.
A MRN, Mineração Rio Norte, a maior mineração de bauxita no Brasil, adota como medidas de mitigação, a recuperação de áreas mineradas, através de reflorestamento com espécies nativas capturadas na própria floresta primária e reproduzidas em viveiro da empresa.

Atualmente, o Ibram tem procurado estender entre os associados o conceito de fechamento de minas, que prevê outras destinações para as áreas originalmente usadas pela mineração. Um exemplo é o da pedreira que foi transformada em teatro em Curitiba, PR. Outro caso de segundo uso para as áreas de mineração seria a mina de Águas Claras, de onde a MBR, Minerações Brasileiras Reunidas, extraía minério de ferro. Localizada na região metropolitana de Belo horizonte (MG), a mina deu lugar a um loteamento de luxo, a cava e as barragens de rejeito e de captação de água transformadas em lagos e riachos.

Diante de dificuldades encontradas para a recuperação das áreas de onde extrai ouro, a rio Paracatu Mineração (RPM), associou-se à Universidade Federal de Viçosa para conduzir experimentos específicos, de acordo com Valter Caramello, chefe do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Empresa. O foco das suas pesquisas está direcionado para a utilização de espécies nativas do cerrado da região de Paracatu, onde a RPM opera uma mina a céu aberto. Uma experiência bem sucedida nesta área é a da Alcoa, ealizada em Poços de Caldas.

Isso tudo é do ponto de vista da extensão de áreas degradadas, porque do ponto de vista da qualidade do impacto ambiental, minerações de ouro, de chumbo, de cobre, de urânio, por exemplo, geralmente associadas a sulfetos, podem gerar problemas ambientais muito graves, como os provocados pela chamada drenagem ácida. A água de drenagem dessas minas tem PH muito baixo, muito ácido e solubiliza vários metais que podem estar acompanhados. O resultado disso são impactos que vão além da área da mineração, porque podem contaminar todos os recursos hídricos da região. As empresas trabalham na mitigação desses problemas para neutralizar esses impactos do PH nas águas de drenagem.

A mineração brasileira apresenta muitos avanços no campo da recuperação de áreas degradáveis, principalmente na prática de aberturas de minas novas, onde a anterior vai endo recuperada. Porém a nossa mineração ainda possui um grande passivo ambiental.

Os Passivos Ambientais, ficaram amplamente conhecidos pela sua conotação mais negativa, ou seja, as empresas que o possuem agrediram significativamente o meio ambiente e, dessa forma, têm que pagar vultosas quantias a título de indenização de terceiros, de multas e para a recuperação de áreas danificadas. Por exemplo o caso da Petrobrás, na década de 80, no qual a região de Cubatão, no interior do Estado de São Paulo, foi seriamente afetada pelo vazamento de óleo, que culminou com a explosão de várias moradias e em janeiro de 2000, o vazamento nas instalações da mesma empresa que provocou o derramamento de milhares de litros do óleo no mar na Baía da Guanabara, causando a morte de várias espécies de aves e peixes, além de afetar seriamente a vida das populações locais que viviam da atividade pesqueira.

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1 Response
  1. Um excelente exemplo de re-utilização de área de cava de mina para outras finalidades é o Instituto Inhotim, localizado no município de Brumadinho, pertencente a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
    A antiga cava se transformou no maior Museu a céu aberto do mundo, com um expressivo acervo de Arte Contemporânea. O local também divide espaço com o Jardim Botânico Inhotim, possuindo em seu acervo uma expressiva coleção de aráceas e palmeiras.
    Fica aí uma dica para aqueles que ai da não conhecem.

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