Usina de biogás gera 740 MWh por mês à indústria alimentícia.

por Canal Energia

Um sistema que captura o biogás e uma usina para geração de energia a partir da queima do combustível. Assim a Embaré Indústrias Alimentícias, fabricante de derivados de leite e caramelos, tem conseguido queimar cerca de 3 milhões de litros de metano por dia, gerando cerca de 740 MWh por mês.

No projeto inscrito no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, das Nações Unidas, o biogás, composto principalmente de metano, é gerado na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) da empresa. Através da orientação da consultoria especializada em projetos de crédito de carbono, MundusCarbo, a companhia investiu cerca de R$ 5 milhões para incluir na estação de tratamento um sistema de captura do biogás e a usina. A energia é utilizada para a manutenção da ETE, e gera uma economia de aproximadamente R$ 15 mil mensais para a indústria.

De acordo com o consultor da MundusCarbo, João Marcelo Mendes, ao final de 2007, a fabricante contratou a consultoria para o desenvolvimento dos créditos de carbono do projeto. Ao queimar o metano gerado no tratamento dos efluentes, a usina evita, segundo a companhia, a emissão de 300 toneladas do gás anualmente, o que equivale a 6.442 toneladas de dióxido de carbono. Por conta disso, diz Mendes, o processo deve gerar 6.442 créditos de carbono anualmente.

“São dois componentes que geram créditos de carbono. O primeiro é referente à destruição do metano, que antes era liberado para a atmosfera. Isso está reduzindo na faixa de seis mil toneladas de CO2 equivalente por ano. O outro componente é a geração de eletricidade renovável, que está dispensando a aquisição de eletricidade na rede elétrica nacional na faixa de 600 toneladas/ano”, explica o executivo.

A partir destes resultados, são realizados cálculos para conhecer a quantidade de crédito de carbono gerada. Pelo componente do metano, explica Mendes, são monitorados dados de qualidade do tratamento do efluente, como vazão de geração do biogás, temperatura, pressão e teor de metano. Para calcular os créditos pela geração de eletricidade renovável, a consultoria monitora a produção do sistema em KWh mensais.

O projeto pode ser o primeiro do país, segundo Mendes, a receber a certificação da Gold Standard Foundation. A organização não-governamental suíça reconhece a excelência de projetos de geração de crédito de carbono em todo o mundo. Segundo Mendes, para pleitear o selo, o projeto deve apresentar co-benefícios para o meio ambiente e para a comunidade.

“A pura e simples destruição do metano no sistema não confere elegibilidade para este selo. É preciso que o projeto vá além. Além de captar metano, deve produzir eletricidade e usá-la em substituição a uma outra que seria gerada por combustível fóssil”, declara. O projeto já foi pré-aprovado e a próxima fase consiste na auditoria para que o selo seja efetivado. A expectativa é que o processo de certificação seja concluído em janeiro.

De acordo com o consultor, além da economia na conta de energia, o projeto contempla ainda benefícios socias, como a melhoria da qualidade de vida do entorno, e vantagens ambientais. “Além de reduzir custo operacional da estação, houve também uma melhoria do relacionamento com os bairros entornos. A comunidade reclamava dos odores emanados pela estação e hoje ele foi drasticamente reduzido. As lagoas foram revestidas nas laterais e na sua base, reduzindo ainda mais o risco de contaminação de águas subterrâneas, além das emissões de metano que foram reduzidas”, finaliza.

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