Expedição vai mapear práticas sustentáveis no Pantanal

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Fonte: Folha Online

A pujança do Pantanal e o fascínio que sua natureza exerce sobre empresários do Sudeste ficam evidentes no campo de pouso da Estância Caiman: dois helicópteros e vários aviões se aglomeram na grama, a poucos metros de uma das imensas baías que fazem a fama da região.

O 10 de julho era de comemoração: a 18ª Festa Pantaneira, cujo ponto alto não foi a prova de laço, como de costume. Em lugar de cavalos e bois, o lugar de honra estava ocupado por uma camionete paramentada com adesivos dos patrocinadores da Expedição Pantanal (Instituto SOS Pantanal, Fundação Toyota, Supermercados Comper e governo de Mato Grosso do Sul).

Até dezembro, a equipe percorrerá 19 mil km, em nove rotas da bacia do rio Paraguai em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Na expedição, que tem custo total de R$ 550 mil, eles têm uma missão singular em suas andanças: conversar.

O objetivo dos expedicionários é recolher e mapear, em cada propriedade, pousada e instituição visitada, um acervo de práticas econômicas e culturais que concorram tanto para melhorar a renda da população quanto para preservar o ambiente.

Os interlocutores serão fazendeiros, pescadores, cozinheiras, ribeirinhos, índios, peões e isqueiros (os fornecedores de iscas vivas).

Mas não será um bate-papo qualquer, explica a bióloga Lucila Egydio, 42, coordenadora da expedição, e sim uma “prosa orientada”.

TAREFA COMPLICADA

Conhecedores da reputação de desconfiados dos pantaneiros, o grupo dispensará pranchetas, blocos e gravadores. O questionário preparado tem de estar todo na cabeça de cada integrante do quarteto, que, em três horas de prosa, precisa cobrir 16 tópicos distribuídos em quatro eixos: consumo/produção, infraestrutura, ambiente e questões socioculturais.

Seu maior esforço será não acabarem confundidos com agentes da Polícia Florestal, do Ibama ou da Funai. A ordem é iniciar a conversa esclarecendo que não estão ali para fazer auditoria, mas para descobrir e mostrar quem está fazendo a coisa certa.

“O foco aqui é a pecuária”, admite a bióloga. Os dois Estados (MT e MS) abrigam um quarto do rebanho bovino de mais de 200 milhões de cabeças no país, e cerca de 75% dos bois mato-grossenses são criados no Pantanal.

O grupo viajará de olho em medidas ambientalmente responsáveis como rotação de pastagens, convivência de pastos naturais com capins exóticos (para melhorar produtividade) e curvas de nível (para prevenir a erosão) –mas também registrará aspectos sanitários, educacionais e até culturais, como a confecção de violas de cocho.

Embora menos danosa para o bioma, a pecuária extensiva tradicional no Pantanal já é considerada economicamente insustentável, por ser pouco produtiva. As fazendas vão sendo divididas e vendidas. No aperto para melhorar de vida, proprietários derrubam os capões de mata e substituem as gramíneas pantaneiras por exóticas.

AMEAÇAS

Cerca de 17% do Pantanal já foi desmatado. O restante sofre com as ameaças de fora, como a agricultura intensiva de soja e cana no planalto à volta, onde nascem seus rios. Com a perda de solos resultante, os sedimentos se acumulam nos modorrentos rios da bacia do Paraguai, cada vez mais assoreados.

A degradação é lenta, mas persistente. Já quase destruiu um rio, o Taquari. A Expedição Pantanal quer investigar e difundir o que os próprios pantaneiros já estão fazendo para impedir a generalização desse desastre.

 

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